quinta-feira, março 18, 2010

A bióloga Cíntia Borba orienta sobre como reduzir o risco de fungos no verão.

* Encontrados no ar, solo, vegetais e animais, fungos podem causar diferentes doenças. Entre elas, destacam-se as dermatofitoses, associadas a fungos que degradam a queratina da pele, unha e cabelo. Com a proximidade da estação mais quente do ano, pesquisadora dá dicas de como reduzir o risco de proliferação destes micro-organismos *

Popularmente conhecidos como mofo ou bolor, os fungos são encontrados no ar, solo, vegetais e animais, e podem ser responsáveis por situações desagradáveis no dia-a-dia de muita gente, em todas as regiões do país.

A bióloga Cíntia Borba, pesquisadora do Laboratório de Taxonomia, Bioquímica e Bioprospecção de Fungos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), esclarece algumas dúvidas e orienta como reduzir o risco de invasão destes micro-organismos com a proximidade do verão, quando há mais facilidade para sua proliferação.

Fiocruz Quais as principais doenças humanas causadas por fungos?

Cíntia Borba: Existem várias doenças causadas por fungos, mas as dermatofitoses estão entre as principais. Os dermatófitos são fungos que degradam a queratina da nossa pele, unha e cabelo.

A dermatofitose apresenta diversas manifestações clínicas dependendo da área afetada e do fungo envolvido. Por exemplo, as onicomicoses, popularmente chamada de micose da unha, podem ser causadas por dermatófitos ou por leveduras (fungo unicelular), como a Candida.

Os pacientes podem apresentar inflamação e inchaço na pele que contorna a unha, aumento da espessura da unha com manchas brancas ou amareladas, ou ainda crescimento irregular da unha com superfície deformada.

São infecções resistentes, com frequência vistas como um problema estético, negligenciadas em sua importância e de tratamento prolongado. Aproximadamente 20% da população adulta entre 40 e 60 anos têm onicomicoses.

Este tipo de doença é mais comum em mulheres devido ao hábito de usar sapatos fechados (e apertados), com meias sintéticas, e também por frequentarem manicures e pedicures, podendo contrair a infecção através de tesoura, alicate, espaçadores e lixas contaminados. As onicomicoses estão associadas a desconforto físico e psicológico e devem ser tratadas por profissionais e não automedicadas.

Fiocruz - Quais fatores favorecem a proliferação de fungos no corpo durante o verão?

Cíntia Borba: Os fungos estão presentes no ambiente e alguns deles podem estar em nosso próprio corpo, mas, em geral, vivemos uma relação de equilíbrio. Fatores como tabagismo, estresse e consumo excessivo de álcool reduzem a imunidade do nosso organismo e facilitam a entrada destes micro-organismos. No entanto, brasileiros têm adotado outros hábitos que podem facilitar a proliferação e a penetração de fungos em seu organismo.

As roupas de algodão, por exemplo, são mais adequadas para o clima tropical, quente e úmido do Brasil. Os tecidos sintéticos dificultam a troca de calor com o corpo e retêm o suor, aumentando as chances de entrada para os fungos.

Fiocruz - Que outras medidas, além do uso de peças íntimas de algodão, devem ser adotadas para evitar infecção por fungos?

Cíntia Borba: O uso contínuo de protetor de calcinha (protetor íntimo diário) deve ser evitado, pois propicia a invasão por espécies de Candida, fungo causador da candidíase.

A Candida vive em equilíbrio com as bactérias da vagina. Quando ocorre um desequilíbrio da flora natural, a Candida “aproveita” a oportunidade e invade a região, causando desconforto e intensa irritação, que deve ser tratada.

Vários fatores propiciam a invasão por Candida e um deles é o uso constante de protetores íntimos, mantendo a região mais úmida do que já é normalmente. Roupas sintéticas, feitas com tecidos que não precisam ser passados, são as escolhidas pela praticidade, porém podem ocasionar dermatites e facilitar a invasão por fungos, pois mantêm as regiões naturalmente úmidas (axilas, região abaixo dos seios etc.) sem a troca necessária de calor.

Fiocruz- Micoses como pé de atleta podem ser evitadas?

Cíntia Borba: Sim. Estas micoses são causadas por fungos chamados de dermatófitos, que podem causar uma diversidade de manifestações clínicas que recebem nomes populares como pé de atleta ou frieira, micose de unha, pele, cabelo, pelo de barba etc.

Eles são adquiridos no contato do homem com o ambiente, como o solo ou animais contaminados. As pessoas diabéticas, as que apresentam problemas circulatórios, as que tomam remédios à base de cortisona e os desportistas (devido à intensa transpiração) são os mais suscetíveis a estes agentes.

No caso das micoses pé de atleta e de unha, as pessoas podem evitá-las mantendo os pés limpos e secos, utilizando sapatos ventilados, calçando sandálias em áreas como piscinas, saunas, banheiros públicos etc., aplicando talcos antissépticos para evitar o acúmulo de umidade.

Outra dica é evitar o uso de calçados de plástico, porque concentram a umidade no pé e não possibilitam a troca de calor. Caso seja inevitável o uso de calçados fechados, dê preferência aos de couro, pois este material é poroso, facilitando a evaporação da umidade.

Fiocruz- Quando as micoses acontecem nas unhas, quais são as medidas mais eficazes?

Cíntia Borba: A medida mais eficaz é procurar ajuda médica e seguir as orientações dada pelo profissional. Outra dica é cuidar bem das unhas, mantendo-as limpas e secas. Quem trabalha em contato direto com a água, por longos períodos de tempo, tem mais propensão a ter fungos nas unhas, por isso deve usar luvas.

A utilização compartilhada de material em manicures e pedicures (alicates, tesouras, afastadores, lixas etc.) é outro fator de risco para adquirir não só fungo como outros micro-organismos, pois nem sempre o material é esterilizado na temperatura correta para eliminar todos os micro-organismos. O ideal é que as pessoas levem para o salão de beleza seus próprios utensílios, que devem ser de uso individual.

Fiocruz- Quais medicamentos devem ser utilizados no caso de fungos?

Cíntia Borba: Qualquer tipo de infecção fúngica deve ser tratada por um médico. A automedicação é perigosa e pode aumentar o problema.

Fiocruz- Como podemos diminuir a presença dos fungos em determinados ambientes?

Cíntia Borba: A regra número um é manter os ambientes arejados e limpos para diminuir a ocorrência destes micro-organismos. O fungo pode utilizar diversos substratos como alimento (papel, madeira, argamassa de parede etc). Eles são bastante adaptáveis e crescem com facilidade, principalmente na presença de umidade.

Fiocruz- Como deve ser feito o controle dos fungos em ambientes climatizados?

Cíntia Borba: O ar-condicionado é um aliado contra o fungo (mofo), já que este aparelho retira a umidade do ar. No entanto, ele precisa ser limpo com frequência para garantir um ambiente saudável.

Fiocruz- Quando compramos alimentos embalados em sacos fechados, como se explica a presença de fungos (mofo)?

Cíntia Borba: Qualquer alimento contém bactérias, fungos e outros micro-organismos, porém existe um número limite de colônias aceitável para que não façam mal à nossa saúde. Quando compramos um pão, por exemplo, embalado em saco plástico, não quer dizer que esse pão esteja estéril, ou seja, livre de qualquer micro-organismo.

Existem produtos adicionados aos alimentos que retardam o crescimento desses micro-organismos. No entanto, existe um período em que esses componentes são ativos. Ultrapassado o prazo de validade, os micro-organismos se multiplicam. No caso de fungos, isso vai variar também, além do tempo de armazenamento, de acordo com a umidade do ambiente e com a temperatura.

Um pão de forma que compramos no supermercado tem um prazo de validade, mas às vezes, quando temos uma temperatura elevada, no verão do Rio de Janeiro, por exemplo, encontramos colônias fúngicas crescendo sobre o pão antes mesmo do prazo de validade expirar.

Fiocruz- Quando se aquece o pão, por exemplo, conseguimos matar os fungos?

Cíntia Borba: O aquecimento do pão, seja no forno convencional ou no microondas, na temperatura para o consumo, não é suficiente para matar os fungos. Por exemplo, no laboratório, utilizamos uma temperatura de 121 ºC, por 30 minutos, para matá-los. O recomendado, caso aconteça de encontrar o pão mofado, é jogá-lo fora. Nunca consumir, até mesmo aquelas fatias que aparentemente não estão com fungo.

Fiocruz- Existe alguma forma de evitar o crescimento fúngico nos alimentos?

Cíntia Borba: É quase impossível porque o fungo está no ambiente. O que devemos fazer para retardar o crescimento fúngico é colocar os alimentos na geladeira, porque as baixas temperaturas diminuem o metabolismo dos fungos, retardando o seu o crescimento, mas não eliminam sua presença.

Reportagem de Pâmela Pinto, da Fiocruz.

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